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Cuidado ! Corredor Flexpower, não funciona
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Em atletas, o consumo de álcool no dia que antecede uma competição,
ou no dia da mesma, pode interferir e muito na performance

Esporte é sinônimo de saúde, claro. O mesmo não se pode dizer das bebidas alcoólicas. Mas será que esses contumazes antônimos podem conviver juntos? Para quem aprecia, digamos, uma biritinha, a resposta pode ser animadora e, ao mesmo tempo, arriscada. Com algumas precauções e o velho bom senso, isso é possível – obviamente, desde que você não tenha qualquer pretensão de bater um recorde mundial ou algo do tipo. Performance e álcool, definitivamente, jamais combinarão. Quando se trata de correr, o sistema flexpower só funciona bem mesmo nos motores dos carros.
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Contudo, primeiramente é importante tirar um pouco da ‘inocência’ que o álcool ganhou, muito por ser uma droga aceitável social e legalmente. Em excesso, causa inúmeras doenças no trato digestivo, além de dependência e pode até levar à morte.

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E se defender dizendo que só bebe socialmente, para descontrair, tampouco garante um álibi: “Descrever os volumes alcoólicos toleráveis ou de risco tem pouca importância na prática clínica, uma vez que as consequências deletérias do uso do álcool ocorrem também em pessoas que ingerem quantidades bem inferiores àquelas que indicam abuso”, lembra a médica nutróloga Ellen Paiva, diretora do Citen, Centro Integrado de Terapia Nutricional.

O primeiro grande problema do álcool é seu principal componente, o etanol. “Assim que a pessoa toma um gole, uma pequena parte dessa substância já começa a entrar na corrente sanguínea pela mucosa da boca. Os efeitos do álcool são percebidos em dois períodos, um que estimula e outro que deprime. No primeiro, pode ocorrer euforia e desinibição. Já no segundo momento ocorre descontrole, falta de coordenação motora e sono. Os efeitos agudos do consumo do álcool são sentidos em órgãos como fígado, coração, vasos e estômago. O abuso deste composto afeta muitos sistemas de órgãos, causando tanto efeitos agudos, como crônicos”, alerta Mônica Forte, nutricionista clínica e esportiva.

A lista é grande: o etanol diminui a atividade do sistema nervoso central, pode gerar simultaneamente efeitos positivos e negativos no sistema cardiovascular, conduz a três diferentes desordens patológicas no fígado (esteatose hepática, hepatite alcoólica e cirrose), irrita a mucosa do estômago, dificultando a digestão e aumentando a produção de ácido gástrico no órgão, o que gera sensação de enjoo e mal-estar.

O segundo problema está intimamente ligado à incompatibilidade esporte-álcool e é facílimo de ser notado: quem bebe tem mais vontade de urinar pois o etanol age na hipófise, glândula no cérebro que inibe a produção de um hormônio que controla a absorção de água pelos rins. Isso leva – além de muitas idas ao banheiro – a um quadro de desidratação. “Ocorre pela elevada taxa de excreção de urina, portanto, tanto os atletas que visam performance aeróbia podem se prejudicar da desidratação, como os praticantes de atividade física em geral, com objetivos de hipertrofia, perda de peso, podem ter seus resultados atrapalhados, uma vez que a água é de fundamental importância para o metabolismo corporal”, aponta Mônica.

A terceira questão é relacionada ao valor nutricional da cerveja, vinhos e afins: ele é zero. Apesar de calórico – 1g de álcool fornece 7 calorias – não contém nenhuma vitamina, nada de benéfico do ponto de vista alimentício. E, para muitas pessoas, acaba inibindo o apetite. Com isso, o costume de trocar jantares saudáveis por hap-py hours pode até levar a um quadro de desnutrição. “Isso ocorre por várias causas: ingestão insuficiente de alimentos, dificuldade de absorver os alimentos ingeridos, perda de proteínas pelo intestino e redução da síntese de proteínas pelo fígado. Dentre todas essas alterações, as dificuldades na ingestão adequada de alimentos provoca desnutrição proteica, deficiências de vitaminas A, C, D e do complexo B, magnésio e zinco”, explica Ellen.

É importante frisar que nem todo mundo reage da mesma forma com a ingestão do álcool. “A maioria responde a baixas doses com relaxamento leve e agradável. Os efeitos causados pelo álcool também variam, além da quantidade ingerida, dependendo ainda da química cerebral de cada pessoa, fazendo com que o relaxamento inicial dê lugar à sonolência ou a muita agressividade”, explica Mônica. Por isso, também, muita gente pode dizer que sai na noite anterior, toma todas e corre de manhã numa boa. E até pode perfeitamente ser verdade, mas não é regra.

Falando especificamente de quem pratica esporte, além da questão da desidratação, outro prejuízo se dá por meio do que o bacharel em esporte e nutricionista Danilo Balu chama de metabolização de substâncias inflamatórias ‘inimigas dos treinos’. “Para ser metabolizado, o álcool é convertido em uma substância tóxica, o acetaldeído. Quem bebe fica por mais tempo com esse composto no corpo. Além disso, o álcool estimula a produção exagerada de substâncias de ação inflamatória, como as prostaglandinas, que geram incômodos físicos”, explica.

Tudo isso significa dizer que não importa se você ingere um copo de cerveja por ano ou por minuto, toda vez que ingere álcool está introduzindo algo maléfico à saúde no corpo. Isso dito, não podemos esquecer o papel social e de desinibição que a bebida cumpre: aquele relaxamento após um dia estressante de trabalho, o combustível de um papo animado com os amigos, a animação para curtir uma noite de balada… são vários os motivos para bebericar aqui e ali – e incontáveis as oportunidades para fazê-lo.

Portanto, levando em consideração que parar de beber completamente não é uma opção para boa parte das pessoas, mesmo quem está investindo na prática esportiva como forma de promover a saúde – ‘afinal, pelo menos eu corro para compensar’, há quem possa se defender –, a solução é adotar uma estratégia que una os benefícios do esporte aos prazeres da noite. “O consumo moderado de algumas bebidas alcoólicas (vinho e cerveja, por exemplo) vem sendo considerado comprovadamente sadio, mas há um momento certo de oferecermos cada tipo de alimento ao nosso corpo. Após os treinos é importante ajudarmos na recuperação (com carboidratos e proteína) e hidratação. Ou seja, o álcool em si não evita ganhos de desempenho, mas seu consumo exagerado ou no momento errado pode, sim, atrapalhar muito”, avisa Balu. Veja, a seguir, como não errar na dose.

Hora certa

“Tudo na vida precisa ter um equilibrio”, frisa a nutricionista Mônica Forte. No caso da convivência bebida alcoólica e corrida, isso significa escolher entre performance e divertimento. Se está perto daquela prova para a qual treinou tanto, a qual quer fazer bem, vale a pena deixar as festas de lado por uma, duas semanas. Se estiver numa época mais relaxada, simplesmente aceite o fato de que não estará 100% para correr. “Não se pode exagerar nas bebidas, nas baladas, nas noites mal dormidas, na má alimentação, assim como não vejo necessidade de abrir mão dessas confraternizações, momentos com amigos, diversão, por conta de treinos. Porém, é preciso ter prioridades. Se estiver treinando para alguma competição específica, creio que vale a pena focar nos seus treinos, descanso e alimentação. Mas se você faz exercício sem fins competitivos, acredito que o melhor é escolher o dia e período do treino de maneira que haja tempo de recuperação, sono e alimentação adequados mesmo com baladas”, recomenda.

Os corredores até trocam receitas pela internet, como comer melancia após beber, por exemplo, mas o nutricionista Danilo Balu também não vê milagre: ou desempenho, ou diversão regada a álcool. “As duas coisas, infelizmente, não existem.”

O profissional lembra que, muito embora o álcool em si seja prejudicial principalmente devido à desidratação que provoca, no caso de quem frequenta casas noturnas os ‘inimigos da performance’ apenas se multiplicam. “Hoje sabemos que a noite de sono um dia antes da prova não é assim tão mais importante, mas uma festa na noite anterior pode vir a desgastar muito o atleta. Você pode comparecer ao evento, mas seria prudente se alimentar corretamente, não beber álcool para manter o corpo devidamente hidratado, não fazer excessos físicos (dançando, por exemplo) e tentar dormir bem. Ou seja, os dois estilos podem conviver razoavelmente bem em algumas oportunidades, mas não há como ser viável os exageros.”

Companhia certa

Para quem não é de ferro, há como fazer na noitada o menor estrago possível no corredor que existe dentro de você. As sugestões passam muito por variar o cardápio e dar estímulos mais saudáveis ao corpo. “A dica é jamais beber de estômago vazio – pois os efeitos do álcool se potencializam pela rápida absorção – e incluir bebidas não alcoólicas ao longo do coquetel ou refeição. Se puder escolher, que opte pela cerveja e pelo vinho, intercalando com sucos, refrigerante ou água. A quantia varia de pessoa para pessoa em função do peso (os menores devem beber menos), sexo (mulheres toleram menos) e tolerância natural (algumas pessoas conseguem beber naturalmente mais que outras)”, destaca Danilo Balu.

A escolha do tipo de bebida a ser consumida faz toda a diferença. “As destiladas (uísque, vodca, cachaça) apresentam alto teor de álcool, chegando a 50%, enquanto a cerveja tem em torno de 5%. Portanto, se a escolha for o primeiro tipo, a dose deve ser bem mais controlada. Uma dose equivale a aproximadamente 285ml de cerveja, 120ml de vinho e 30ml de destilado. De maneira geral, homens podem tomar 2 doses/dia, e as mulheres, apenas uma”, informa Mônica Forte, que recomenda a ingestão de um copo de água a cada dois de cerveja ou uma dose de destilado, a fim de ajudar na reidratação.

Outra dica da profissional, até fácil de cumprir, é comer enquanto bebe. Mas não frituras e alimentos gordurosos. “A combinação de um carboidrato e uma proteína seria a melhor opção, como: lanche de pão, carne, queijo e salada. Isso porque os alimentos dificultam a absorção do álcool pelas paredes do estômago.”

Drink Running

Há quatro anos, São Paulo abriga uma prova para quem leva a sério esse casamento entre bebida e corrida. A Drink & Run não é famosa pelo percurso de 7km, mas, sim, por seus ‘postos de hidratação’, oito no total, nos quais os participantes bebem ao menos um chopp em cada – não tem como escapar, são as regras. Outras obrigações são largar, correr e chegar junto com o grupo – em tempo, a prova não premia vencedores – e o uso de uma fantasia, que muda anualmente. Mas nem tudo é moleza: sentar e ficar no bar não pode, tem que chegar, beber e continuar correndo. Com início no Bar Pracinha e final no Piove, numa região famosa pela vida boêmia, entre Itaim e Vila Olímpia, a corrida nasceu, obviamente, de uma conversa de bar entre amigos, que queriam premiar-se após um ano de muito treino. É realizada em dezembro e tem até kit ressaca no pacote, que custa R$ 200,00.

Os cariocas também têm a sua ‘corrida etílica’, em formato similiar, há 3 anos, igualmente em dezembro. A Corrida Drunks, do Leblon ao Leme, prevê cinco paradas de 10 minutos cada para ‘hidratação’ e 8km de percurso. Os R$ 35,00 de inscrição não incluem os cinco chopps obrigatórios.

Corridas etílicas não são privilégio do Brasil. Na França, por exemplo, existe a Maratona de Médoc, na qual é servido vinho aos atletas ao longo do percurso e com direito a degustação de aperitivos.

Existem ainda provas bem menos sérias, nas quais os participantes se autodenominam ‘bebuns’. Equipes de quatro atletas se revezam na tarefa de carregar um engradado de cerveja, que larga cheio e tem que cruzar a linha de chegada vazio. Não é preciso dizer que não se trata de corredores, mas caminhantes. Em 2010, na fase pré-carnaval, estão programados alguns eventos neste estilo, como a LuziCerva, em Luziânia-GO e a 1ª Corrida da Cerveja de Arapiraca (Alagoas).

 

Fonte: Multiesportes

 

Não queremos, e nem podemos, com a publicação desta matéria obrigar alguém a deixar de beber, mas temos a obrigação de reforçar que esporte e bebida não combinam, principalmente se você está em busca de rendimento.

Félix Luis / Portaldocorredor

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 


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