Na
16ª etapa da Transe Gaule, uma ultramaratona
de 1.166 quilômetros que corta a França
e é disputada em 18 etapas, estourou
uma bolha no pé esquerdo de Chiu Shu-jung,
51, experiente corredora de Taiwan.
Ela
não deu muita bola e seguiu em frente
até a etapa final, no dia 30 de agosto,
concluindo a exaustiva prova em segundo lugar
no feminino, 17º no geral, fechando em
um total acumulado de 125h07min24.
Pouco
depois, teve de ser hospitalizada por causa
de fortes dores em seus pés. Ela já
estava com infecção adiantada
nos pés e teve de ser transferida para
um hospital em Montpellier.
Atacada
por uma bactéria conhecida como "comedora
de carne", a corredora foi vítima
de fasciite gangrenosa. Foi submetida a sucessivas
operações e acabou por ter sua
perna direita amputada, no dia 31 de agosto,
assim como parte do pé esquerdo, em
cirurgia no dia seguinte. Segundo o boletim
médico, as amputações
foram necessárias para evitar que a
infecção se espalhasse.
Ela
está sendo mantida em coma induzida
e, segundo o último boletim médico
que vi (do dia 16 de setembro), seu estado,
apesar de grave, como se pode imaginar, é
considerado estável.
Chiu,
de 51 anos, tem dois filhos e é uma
das grandes ultrmaratonistas do planeta. Integra
a equipe nacional de Taiwan para provas de
24 horas e, no ano passado, classificou-se
no 40º lugar no geral na conhecida Spartathlon
(corrida de 246 km de Atenas a Esparta).
"Nunca
pensei que fôssemos sofrer tanto",
disse o marido de Chiu, Lu Hua chieh, que
pela primeira vez a acompanhou em uma prova.
Ele disse esperar que os médicos estudem
bem o caso para que, no futuro, seja dado
um atendimento melhor a corredores que enfrentem
situação similar.
Eu
só tenho a lamentar uma tragédia
como essa. E imaginar se ela não poderia
ter sido evitada se os médicos tivessem
sido mais rigorosos ou se tivesse sido diferente
o tratamento dado a uma simples bolha.
Entrei
em contato com o hospital onde a ultramaratonista,
conhecida no seu país como Mamãe
Ultra, está sendo atendida. Informarei
sobre qualquer novidade a que tenha acesso.
Fonte:
Rodolfo Lucena / UOL