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Entrevista com Eleonora Mendonça.
Precursora das corridas no País, Eleonora Mendonça relembra o cenário do atletismo nacional nas décadas de 1970 e 1980.

"Quando pesquisei e editei o vídeo sobre a Maratona Feminina de Los Angeles 1984, passei a conhecer melhor a história desta fantástica atleta brasileira que fez história no atletismo mundial.

O vídeo, editado pelo Portaldocorredor em 2008 ainda com recursos bem amadores, é hoje o 5º colocado em sua categoria na internet, com quase 150 mil acessos de todo o mundo. Eleonora Mendonça foi a única brasileira presente naquela difícil maratona, a primeira com mulhres em Jogos Olímpicos, que teve como ponto marcante a chegada de Gabriela Andersen, quase desmaiando. Vejam a entrevista abaixo publicada na Revista W Run. Félix Luis / Portaldocorredor"

 

Enquanto conversava com Eleonora Mendonça, por alguns momentos chamei-a de “profissional”, referindo-me à sua trajetória como corredora em provas oficiais. “Não era profissional e, sim, amadora, não recebia para correr”, repetia. Foi quando percebi que, para ela, um atleta profissional era aquele que recebia dinheiro por suas vitórias, o que nas décadas de 1970 e 1980, era uma novidade muito malvista entre os esportes olímpicos.

A “corredora amadora”, com quem a W Run conversou em entrevista exclusiva, foi uma das responsáveis pelos primeiros passos do País na corrida de rua. Representou o Brasil na primeira maratona olímpica para mulheres – prova essa que ela mesma lutou para que acontecesse. Organizou os primeiros circuitos de rua no Rio de Janeiro e a primeira maratona, também na capital fluminense. Foto: Daniel Kfouri.

 

Entre tantos feitos e vitórias, a carioca com sotaque americano vive hoje entre a Cidade Maravilhosa e os Estados Unidos, está impressionada com o tamanho dos eventos de corrida de hoje e ainda dá as suas corridinhas.

Você praticava esportes desde pequena?


Eleonora Mendonça: Meus pais nunca praticaram atividades físicas, mas desde cedo perceberam minha inclinação pelo esporte. Lembro-me de ter praticado várias modalidades, como vôlei, natação e, principalmente, tênis. Mas, quando comecei a cursar Educação Física na então Universidade do Brasil [hoje Universidade Federal do Rio de Janeiro], sofri uma lesão no joelho e precisei abandonar qualquer ambição com o tênis.

Foi quando começou a correr?

Eleonora: Terminei a faculdade e fui fazer mestrado também em Educação Física nos Estados Unidos. Na época, Frank Shorter, maratonista norte-americano, havia acabado de vencer a maratona olímpica em Munique (Alemanha), o que causou um boom nas corridas de rua no país. Era uma atividade simples que ganhou uma grande aceitação entre os amadores. Então me empolguei e comecei também.

E as provas oficiais?

Eleonora: Quando voltei ao Brasil, em 1972, virei sócia do Fluminense e corria sempre em volta do campo.Comecei então a participar de competições de pista, de 800 m, 1.500 m, 3.000 m. Em 1974, voltei aos Estados Unidos para trabalhar em Boston, cidade da maratona mais antiga do mundo. Era uma escolha relativamente fácil largar as provas de pista e partir para as longas. Comecei a me preparar para completar a Maratona de Boston.

Mas para isso você precisaria de um índice...

Eleonora: Fiz isso em 1976. Completei minha primeira maratona correndo na neve, e apesar disso, consegui meu índice. Era a Silver Lake Dodge Marathon, uma prova que terminava em frente a uma revendedora de carros Dodge. Com o índice, corri Boston em uma situação completamente oposta, com um calor de 30ºC. Competi em provas de 10, 15 e 30 km e me tornei uma das mais rápidas daquela região nos Estados Unidos.

 

Quando começou a organizar corridas de rua?

Eleonora: Em 1977, vim para o Brasil participar da corrida de São Silvestre. Na época, trabalhava em um setor de desenvolvimento de calçados de corrida na marca esportiva New Balance. Descobri que um jornalista americano, Yllen Kerr, organizaria uma corrida de 12 km no dia 31 de dezembro no Rio. Começamos a conversar e vimos que tínhamos todas as condições para realizarmos corridas no Rio. A primeira que organizamos juntos foi a Corrida de Copacabana, 8 km, com cerca de 300 adeptos. Foi um sucesso para a época.

Eram muitos os obstáculos para realizar uma prova oficial naquela época?

Eleonora: Eram grandes, principalmente em relação ao fechamento das ruas. Realizamos corridas ao longo da praia, nas montanhas, provas para crianças. Não havia tecnologia ou chip de cronometragem: uma equipe fazia isso à mão, o que não foi obstáculo. Fiquei contente em ver a vontade das pessoas. Parecia que estavam apenas esperando uma oportunidade para começarem a correr.

 

Vejam o vídeo do Portaldocorredor, Los Angeles 1984, Clique Aqui...

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Fonte: W Run



Félix Luis / Direção Geral
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