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Os indices olímpicos difíceis

A natação e o atletismo são os dois esportes que mais destribuem medalhas nas olimpíadas. Em Pequim, serão 32 ouros na natação(outros dois nas maratonas aquáticas) e 47 no atletismo.
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Com excessão dos revezamentos, os atletas nestes esportes conquistam sua vaga olímpica ao ultrapassar a marca mínima exigida pelas Federações Internacionais dos respectivos esportes e não ao vencerem torneios pré olímpicos, mundiais ou qualquer coisa do gênero, como acontece na grande maioria das modalidades.
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Os índices são internacionais e, dentro do país, cada confederação pode criar seus índices ou seguir os da Federação Internacional. Nos casos de países de ponta, em que em todas as provas mais de três atletas( no caso do atletismo) e dois(no caso da natação), conseguem as marcas estipuladas, são feitas seletivas em que os vencedores estão automaticamente na olimpíada. Isto é arriscado e o país pode perder atletas importantes, como Maurice Greene e Michael Johnson que se machucaram durante as seletivas dos 200m rasos para Sydney e mesmo com os melhores tempos não disputaram essa prova.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Para 2004, Ian Thorpe queimou a largada dos 400m da seletiva australiana mas o vencedor, Craig Stevens, foi "obrigado" a desistir da prova, dando vaga ao posterior vencedor da prova em Atenas.

As Confederações brasileiras divergem quanto às vagas para Pequim. O atletismo permite que o atleta que atinja o índice B( Mais fraco que deixa apenas um atleta por país em cada prova) viaje para as olimpíadas de Pequim enquanto a natação aceita apenas atletas com índice A, tirando dos Jogos Olímpicos Monique Ferreira, Lucas Kanieski , Tatiane Sakemi dentre outros que conseguiram apenas índices Bs.

O atletismo experimentou deixar apenas atletas com índices A participar dos Jogos de Sydney, e não foi feliz. Com apenas 18 atletas,(Em Atlanta foram 42 e em Atenas 38) conseguiu apenas uma medalha olímpica e desperdiçou alguns bons resultados, como da velocista Lucimar Aparecida de Moura que havia batido o recorde brasileiro meses antes, mas não atingira o índice A olímpico. Com as marcas nos 100m e 200m, ela ficaria com o bronze nos 100m e ficaria em sétimo nos 200m. Claro, as marcas da brasileira foram obtidas na altitude, oque facilita as provas de velocidade, mas ela tinha claras condições de chegar ao menos ás semi finais.

Para Atenas, e também para Pequim a CBAt(Confederação Brasileira de ATletismo), aceitou os atletas com índice B, o que colocou o Brasil em diversas provas em 2000 não esteve, principalmente no feminino. Em 2000, apenas três mulheres estavam na delegação enquanto quatro anos depois elas eram 18. Em Atenas, as meninas do Brasil conseguiram grandes resultados nos revezamentos, que caso seguissem os índices Bs estariam classificados para Sydney. Aliás, em 2000, nenhuma das três brasileiras foi bem, não chegando à nenhuma final.

Então, é importante que a CBAt dê aos atletas a opurtunidade de disputar os Jogos Olímpicos mesmo sem grandes chances de medalhas. Além de visibilidade, visto que as TVs estarão transmitindo a prova do Arremesso de dardo, por exemplo, em que Luciana Mendes tem a marca B mas dificilmente chegará ao índice mais difícil, e todos aqui no Brasil verão Luciana, saberão que o esporte aqui também existe e, por que não, algumas crianças não queirão imitar a atleta brasileira.

O atletismo é um esporte em que as melhores marcas do mundo não são sempre melhoradas, visto que muitos recordes mundiais tem mais de 20 anos de história. Para se ter uma noção, apenas oito recordes olímpicos do atletismo foram batidos em 47 provas disputadas em Atenas 2004. Isso mostra que, os atletas com índice B têm chances reais de final olímpica caso repitam suas marcas. Um exemplo é a lançadora Luciana Mendes que se repetisse o índice B no mundial de 2007, que reuniu todas as melhores atletas do mundo, ficaria a menos de 1m da vaga na final.

Uma razão que influenciou no fraco resultado do atletismo e outras modalidades foi o grande intervalo entre o momento da conquista de um índice olímpico a competição. Para Pequim, o atleta que conseguiu índice A em 2007 terá que fazer o índice olímpico B em 2008, para provar que continua numa boa fase.

Já a natação, os recordes são melhorados ano pós ano. Uma marca que deu medalha em 1996 para Gustavo Borges nos 200m livre, 1min48s08, não daria sequer uma final no mundial de 2007. Então, o índice B estipulado pela FINA( Federação Internacional de Natação).

Desta forma, um atleta com índice B, como Tatiane Sakemi nos 100m peito, precisaria melhorar cerca de 3s sua marca para conseguir chegar na final. Então, faz muito bem a CBDA( Confederação Brasileira de Depostos Aquáticos) de não dar a vaga para atletas que não tenham chegado ao índice A.

Porém, a CBDA deve deixar os atletas com índice B em algumas provas mas que tenham índice A em outra disputar essas provas. Exemplo: Henrique Barbosa atingiu o índice A na prova dos 100m peito e garantiu a vaga em Pequim por esse tempo. Mas, a prova dos 200m peito é disputada depos da prova dos 100m, e Henrique tem o índice B nesta prova, podendo, de acordo com a FINA, nadar esta prova e talvez obter um bom resultado, sem a pressão de sua melhor prova ou mesmo para chegar ao revezamento 4x100m medley ainda mais preparado. Agora, resta saber se a CBDA deixará ele cair na água sem o índice A. Em Sydney e Atenas os nadadores puderam cair na água, agora para Pequim nada foi confirmado. Vamos Esperar

Portanto, ao contrário de muitos jornalistas ESPORTIVOS, concordo com a CBAt em deixar atletas com marcas teoricamente mais fracas disputar as olimpíadas, seja pela visibilidade, seja pela experiência do atleta ou mesmo pelo fato e ter chances reais de uma final olímpica.

E quanto a natação, concordo plenamente, em não levar atletas com índice B pois, além das provas de natação já serem muito mais conhecidas no Brasil que as do atletismo, o país acabará participando de todas as provas nos Jogos, já que provavelmente atletas com índices B em algumas provas e A em outra caírão na água em provas que não sejam sua especialiadade.

 

Fonte: Blog Brasil em Pequim

 

Indices para competições internacionais

Muitas vezes, esperamos de nossos atletas resultados fantásticos em uma olimpíada e ficamos frustrados quando os jogos começam e os resultados não aparecem como pensávamos. Afinal, de quem é a culpa ?

No Brasil, temos uma cultura esportiva e empresarial retrograda que busca resultados rápidos com investimentos que acontecem apenas nas vésperas de grandes competições, com patrocínios direcionados apenas a atletas que já estão na mídia, deixando de lado jovens talentos são ignorados e jogados a sorte no esporte e na vida.

Nas corridas de rua, existe uma verdadeira briga de foice entre treinadores de atletas brasileiros e estrangeiros, em especial quenianos. Para alguns, os quenianos nem deveriam pisar no Brasil pois retiram a possibilidade dos brasileiros subirem ao podium, mas este fenômeno não acontece apenas no Brasil, é mundial.

Afinal, que culpa tem os quenianos de serem abençoados geograficamente e geneticamente por Deus ?

A seleção brasileira de futebol, por exemplo, já foi impedida de participar de algum torneio internacional por causa da habilidade de nossos jogadores ? Que eu saiba não, pelo contrário, os convites milionários são inúmeros e a CBF até escolhe a melhor opção.

Quando falamos de jogos internacionais, podemos citar dois exemplos distintos, os Jogos Pan Americanos e as Olimpíadas, em ambos os casos, cada país é responsável pela preparação e convocação de seus atletas.

Tecnicamente, os Jogos Pan Americanos são bem mais fracos e deixam uma falsa ilusão de sucesso que muitas vezes são desmascarados nas Olimpíadas.

Nos jogos olímpicos, uma simples convocação para representar o seu país já pode ser vista como uma conquista pessoal para 90% dos atletas. Estar presente na Vila Olímpica, avançar em provas eliminatórias, chegar as finais e conquistar uma medalha já se torna um sonho para poucos.

Recentemente, a CBAt divulgou os índices para os Jogos Pan Americanos de Guadalajara, que não são fáceis de serem alcançados, mas para as olimpíadas, são mais difíceis ainda.

Para a realidade brasileira, uma medalha olímpica, mesmo que seja de bronze, já deveria ser vista como uma grande conquista, pois a falta de estrutura e planejamento do país ainda deixa muito a desejar em relação a outros países.

Esperamos que para os Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro de 2016 algo ainda possa ser feito, faltam 5 anos, mas existem países que já estão bem mais preparados que o nosso neste momento, com investimentos maciços em categorias de base que mobilizam milhares de crianças e adolescentes em todo o mundo.

No entanto, para outros países que não possuem tradição esportiva internacional, a simples oportunidade de enviar um único representante para uma grande competição já é vista como uma conquista de toda uma nação, independente do resultado.

Veja como exemplo as duas histórias abaixo:

O jovem Eric Moussambani, representou a Guinéu-equatorial nos Jogos Olímpicos de Sydney 2000, e ficou famoso mundialmente por nadar sozinho e quase se afogar em uma das eliminatórias dos 100 metros rasos. Eric competiu só porque os outros dois atletas que estavam em sua bateria foram desclassificados por queimarem a largada minutos antes. Em seu país, o atleta nunca havia nadado em uma piscina de 50 metros, os seus treinamentos eram feitos em uma pequena piscina de um hotel.

Em uma modalidade em que os atletas conquistam vitórias por milésimos de segundos, Eric nadou os 100 metros com muita dificuldade com o tempo de 1 min e 52 segundos. Na mesma ocasião, o medalhista de ouro da prova foi Pieter van den Hoogenband, que bateu o recorde mundial com o tempo de 47 segundos e 84 centésimos.

Vejam o vídeo da eliminatória de Eric Moussambani com a lamentável narração dos apresentadores, Clique Aqui...

 

Savannah Sanitoa, atleta de Samoa Americana, ficou famosa no Mundial de Berlim 2099 ao correr a eliminatória dos 100m rasos em 14 segundos, mas o tempo foi o que menos importou, a atleta do arremesso de peso aceitou o desafio e mostrou para o mundo como se deve quebrar paradigmas e preconceitos diante do público.

Savannah ainda chegou à frente de outras duas atletas na competição, Tioiti Katutu, do Kiribati, que fez o tempo de 14s38, e Robina Muqim Yaa, do Afeganistão, com 14s24.

"É uma vitória pessoal para mim estar aqui no Mundial. Nós temos pequenas competições em casa, mas é muito mais excitante disputar uma competição como essas - afirmou ao jornal inglês Telegraph”.

Veja o vídeo de Savannah Sanitoa, Clique Aqui...

 

Resumindo: Você já nadou ou correu 100 metros forçando o ritmo ? Por experiência própria, garanto a você que em ambos os casos Eric e Savannah deixariam muita gente para trás nessas duas modalidades. Pense bem antes de fazer algum comentário irônico por ai.

 

Félix Luis / Portaldocorredor

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