
No
começo, tudo era festa, depois...
Início
da década de 90, ainda me recordo da
primeira corrida que participei em Fortaleza,
saindo da Praça da Imprensa, uma delas,
promovida pela extinta empresa telefônica
do estado do Ceará, Teleceará,
lembram !
Naquela
época, os atletas corriam despreocupadas
em vários aspectos. O estilo de vida
era outro, menos stressante, muitos corriam
com short de jogar futebol, abaixo do joelho,
como ainda observamos hoje, e se duvidar encontrávamos
até alguém de tênis Kichute
pisando fundo no percurso. Naquela época,
dificilmente havia premiação
em dinheiro nas corridas, e mesmo assim os
atletas participavam com alegria e satisfação
de praticamente todas as corridas que apareciam
pela frente, até porque eram poucas,
e as inscrições eram gratuitas
ou feitas apenas com a doação
de alimentos não perecíveis.
Hoje,
a brincadeira cresceu e virou negócio
de gente grande. Shorts, camisetas, tênis
e bonés confeccionados com tecidos
tecnológicos impulsionam a industria
das corridas. Outros acessórios como
relógios, GPS, óculos e monitores
cardíacos também não
ficam atrás, sem falar dos serviços
que acompanham esta evolução,
como: lojas especializadas, assessorias esportivas,
nutricionaistas, academias, médicos
especializados em traumas e exames preventivos,
sites esportivos, etc... Veja
abaixo alguns números que fazem parte
do esporte:
-
Um par de tênis básico custa
de R$ 200,00 até R$ 1.200,00
- Uma camisa ou camiseta, de R$ 20,00 a R$
100,00
- Um short básico, de R$ 20,00 a R$
80,00.
- Um relógio monitor cardíaco,
de R$ 200,00 a R$ 1.000,00.
- Um boné, R$ 40,00.
- Um óculos, R$ 100,00.
- Nutricionista, R$ 70,00 por consulta.
Sem falar de outros detalhes importantes,
como: Protetor solar, alimentação
e suplementos, transporte, hospedagem, logística
de treinamentos, etc... Ou
seja, aquela corridinha leve e sem compromisso
do passado se transformou em um estilo de
vida que veio para ficar.
Acompanhando
esta evolução, infelizmente
o valor das inscrições foram
inflacionados, e aumentam cada vez mais, deixando
os verdadeiros corredores de rua angustiados
e desanimados, por causa da grande quantidade
de corridas ao longo do ano.
Após
receber vários e-mails com relatos
de corredores cearenses e também de
outros estados, fico imaginando como não
deve ser em São Paulo, pois a cada
final de semana são várias corridas
acontecendo ao mesmo tempo, na capital e interior,
deixando os corredores da principal capital
do país indecisos na hora fazerem as
suas inscrições.
Corridas
e corridas...
Mas
temos que entender que existem casos e casos,
ou seja, corridas populares e corridas não
tão populares, por exemplo: encontrei
nos artigos do amigo Rodolfo Lucena da Folha
de São Paulo que agora em julho, acontece
em São Paulo a 4ª Edição
da Corrida Iguatemi FashionRun, 5 Km, onde
a inscrição é aberta
"a todos", mas custa a bagatela
de R$ 150,00 nos primeiros dias, podendo chegar
até a R$ 200,00.
No
mesmo mês, acontece no Paraná
a 3ª Meia Maratona das Cataratas, com
inscrição inicial de R$ 70,00
e nos últimos dias R$ 100,00.
Aqui
em Fortaleza, estamos vivendo um momento parecido,
mas não comparado à grandiosidade
da capital paulista. Fortaleza hoje é
a principal capital nordestina em corridas
de rua, e os números crescem a cada
ano. Já temos corridas com inscrições
superiores R$ 100,00, embora a maioria fiquem
entre R$ 20,00 e R$ 40,00, o que não
parece muito, mas vale lembrar que a grande
maioria de nossos corredores possuem um poder
aquisitivo baixo, e chegamos a ter corridas
praticamente todos os finais de semana.
Na
prova VIP de São Paulo, o release distribuído
à imprensa pelos promotores do evento
diz que haverá um espaço VIP
que acomodará atletas, convidados e
acompanhantes, além de um café
da manhã com cardápio balanceado,
espaço de massagem, distribuição
dos kits com camisetas Thermodry da Track
& Field, entre outros itens.
Na
prova do Paraná, o preço da
inscrição inclui seguro do atleta,
um ingresso turístico para o Parque
Nacional das Cataratas, um jantar de massas
com bebida não alcoólica em
um Hotel local na véspera da corrida
e 1 kit do atleta contendo camiseta, boné
e brindes oferecidos pelos patrocinadores.
Aqui
em Fortaleza já tivemos provas bem
caras para os padrões locais onde não
havia uma única ambulância no
percurso, sem falar das premiações,
que na grande maioria das vezes são
vergonhosas em relação a dinheiro,
mas que muitas vezes são amenizadas
pela confecção de troféus
e medalhas belissímos, que de certa
forma contribuem para a elevação
da autoestima dos corredores, como também
para a obtenção de patrocínios
ou pequenos apoios para as próximas
corridas. Mas as falhas acontecem em todo
o mundo. Já vi pela TV paga, uma corrida
interrompida pela passagem de um trem, com
vários vagões, onde os atletas
tiveram de aguardar por quase 3 minutos.
Outra
dificuldade que observo neste segmento é
a carência de divulgação
na mídia. Apenas os grandes eventos
são divulgados na TV, o que causa um
falsa impressão de que temos apenas
um punhado de corridas durante todo o ano,
o que não é verdade. Com este
propósito, o Portaldocorredor foi criado
em agosto de 2004, e hoje, consolida-se como
o principal site de corridas de rua da região,
além de estar classificado entre os
10 sites esportivos do país, (TOP10)
de acordo com o resultado do último
Concurso iBEST.
Analisando
o esporte com uma visão macro, se reunirmos
todas as competições de rua
e pista que temos no estado do Ceará,
além de provas de orientação,
triathlon e duathlon, que também atraem
muitos corredores em fase de preparação,
devemos ter aproximadamente 100 competições
durante todo o ano.
Sobre
a dificuldade dos atletas mais carentes, no
caso da Equipe Portaldocorredor que irá
participar da próxima Maratona Pão
de Açúcar de Revezamento, iniciamos
o garimpo de corredores ainda no mês
de janeiro de 2009. Até o momento já
estamos com 32 atletas confirmados, e durante
este período de inscrições
tivemos de ser muito cautelosos em relação
a algumas escolhas, pois observamos pelo menos
3 relatos emocionados de pessoas muito humildes,
mas que acima de tudo possuem um grande caráter
e força de vontade para enfrentarem
desafios, o que nos fez fazer a inscrição
de desses atletas com muito orgulho.
Resumindo...
A
continuar desta forma, infelizmente poderemos
chegar ao dia em que o número de não
pagantes ou "pipocas", será
maior do que o número de corredores
regularmente inscritos em uma prova, e isso
não será bom para ninguém,
venhamos e convenhamos.
"Por
outro aspecto, o que adianta organizar uma
corrida e dizer que milhares de pessoas participaram
do evento, quando na verdade o número
foi muito menor, basta conferir o resultado
oficial para constatar."
Félix
Luis / Direção Geral
Portaldocorredor.com
Espaço
do leitor, envie seu comentário:
Estava
eu acompanhava meu irmão em uma corrida
em Fortaleza e no mesmo período do
ano passado, quando meio que por um estalo
resolvi que iria correr também. Comecei
com 2 Km por dia, e alguns piques de 4,5 Km
no Parque do Cocó aos domingos com
alguns amigos. Hoje me vejo participando de
provas de 10 Km e até 12 Km, a mais
recente, e com vontade de melhorar mais e
mais meus tempos a cada dia. Mas o mais interessante
nisso tudo é que quando comecei me
via solitário a correr pelas ruas do
meu bairro, e hoje já temos um círculo
de amigos corredores, com os quais às
vezes corremos, às vezes nos encontramos
ao longo do percurso.
Como
na matéria nesta matéria do
Portaldocorredor, , um dos principais motivos
de desânimo para corredores de rua é
justamente o alto valor das inscrições,
uma vez que nossa realidade não suporta
a participação em várias
provas que se realizam ao longo dos meses.
Mario
Jorge de Freitas Alves / CE
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