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São Silvestre 2011, com muita chuva, africanos dominam no masculino e feminino. Na estreia do novo percurso da Corrida de São Silvestre com chegada no Obelisco do Ibirapuera, os africanos levaram a melhor. Em uma chegada muito disputada, sob forte chuva e com a pista quase alagada, a queniana Jeptooh Priscah superou a etíope Wude Ayalew e venceu, com o recorde de 48min48s. No masculino, o campeão foi o etíope Tariku Bekele, irmão do bicampeão olímpico dos 10.000 m, Kenenisa Bekele. Ele fez o tempo de 43min35s.
A melhor brasileira foi Cruz Nonata, que ficou em sexto lugar. A vencedora Priscah pulverizou o recorde anotado por Alice Timbilili no ano passado, que era de 50min19s. Com a vitória da africana, o Brasil segue sem vencer a prova feminina desde 2006, e o Quênia consolida seu domínio com nove vitórias. No masculino, o Brasil teve a chance de empatar em número de vitórias com o Quênia, mas o troféu foi para a Etiópia. Damião Ancelmo foi o melhor brasileiro e chegou em sétimo, seguido por Marilson dos Santos. Tariku Bekele ganhou destaque com o título mundial dos 3.000 m em 2008, mas mostrou que tem fôlego para distâncias mais longas e levou a vitória com larga vantagem. A primeira largada foi a das mulheres, e a italiana Nadia Ejjafini ditou o ritmo nos primeiros metros da Paulista. Mas a europeia se distanciou do pelotão após a entrada na Avenida Doutor Arnaldo. Na descida forte da Major Natanael, ela perdeu a dianteira, mas seguiu na frente durante o contorno ao estádio do Pacaembu. A brasileira Marily dos Santos se manteve no pelotão da frente na Avenida Pacaembu, mas tanto ela quanto a italiana Nadia ficaram longe da liderança a partir da Avenida Rudge, quando a queniana Jeptoo Priscah e a etíope Wude Ayalew se isolaram na ponta. Enquanto isso, na largada masculina, os marroquinos Najin el Qady e Hafid Chani ficaram na frente até a descida da Major Natanael, mas logo foram superados pelo pelotão liderado por Matthew Kisorio e Tariku Bekele, seguidos de perto pelos brasileiros Marilson dos Santos e Damião Ancelmo. Depois do trecho do Memorial da América Latina, Bekele arrancou e se isolou na liderança até o final. Sob uma verdadeira tempestade, ele entrou na avenida Pedro Álvares Cabral sozinho e correu a passos largos para a vitória e por pouco não quebrou o recorde de 43min12s de Paul Tergat, que dura desde 1995. Festa dos cadeirantes - Os primeiros a testarem o novo percurso da São Silvestre foram o para-atletas cadeirantes. A vitória na edição 2011 foi de Jaciel Antônio Paulino (ADD/Avianca/Fila), que percorreu os 15 quilômetros em 47min08s. O pódio teve ainda Carlos Neves de Souza (ADD/Avianca/Fila) com 49min36s e Heitor Mariano dos Santos (Accelerade) com o tempo de 53min17s. "A prova ficou mais rápida e não é tão difícil quanto parece. Meu velocímetro chegou a bater 53 km/h e fiquei surpreso com o desempenho. O percurso está aprovado", relata Jaciel Paulino, tricampeão da prova (2007,2009 e 2011). O campeão de 2010, Fernando Aranha Rocha, era apontado como o grande favorito ao título, mas não completou a corrida por causa de um pneu furado ainda na largada. "A variação no percurso possibilita um descanso para os cadeirantes, já que podemos poupar um pouco na descida", revela Heitor dos Santos, que ficou com o bronze neste sábado. No feminino, a vencedora foi Angelina Nascimento da Silva, que participou pela décima vez do evento. A para-atleta da ADD - Associação Desportiva para Deficientes - completou o percurso em 1h35min26s. "Gostei bastante da prova. Sempre corro sozinha e espero que nas próximas edições novas competidoras tenham interesse para fazer uma elite feminina de cadeirantes", explica a baiana de 46 anos. Resultados
da 87ª edição da Corrida Internacional de São
Silvestre Feminino Cadeirantes
masculino
Campeão em 2010, Marilson chega em 8º e elogia o desempenho de seus adversários.
"Eu
não consegui ter uma preparação específica
para correr aqui, o que acabou pesando. Senti muito o início,
muita descida. Tenho que rever a minha estratégia para poder
voltar a brigar", afirmou após cruzar a linha de chegada
no Obelisco do Ibirapuera. . Melhor dentre os atletas do Brasil, Damião de Souza, sétimo colocado logo à frente de Marílson, apontou a chuva como uma das maiores dificuldades para percorrer os 15 km. "Eu tentei acompanhar o ritmo, mas choveu muito, principalmente no começo da prova, o que acabou atrapalhando. Me esforcei até o limite, mas no final senti muito o cansaço e a chuva", comentou. Em 21º no ranking mundial da maratona, o fundista do Clube de Atletismo BM&FBOVESPA está pré-convocado para a Olimpíada de 2012. A vitória em 2010 - A vitória de Marílson dos Santos foi ainda mais consagradora, pois o brasiliense ditou o ritmo da prova - disputada com 24 graus de temperatura e 48% de umidade relativa do ar -, e cruzou a linha de chegada com larga vantagem (42 segundos) sobre o segundo colocado, o queniano Barnabas Kiplagat Kosgei, com o tempo de 44min49s. Em terceiro lugar, ficou o também representante do Quênia James Kwambai, com 45min15s, que havia vencido em 2008 e 2009. Marílson Gomes dos Santos se manteve no pelotão da frente até o quilômetro 6,5 da prova, no final do elevado Costa e Silva, onde passou a imprimir um ritmo mais forte, assumiu a liderança e começou abrir vantagem sobre os adversários. A distância entre o brasileiro e os oponentes diretos ficou ainda maior na subida da avenida Brigadeiro Luis Antônio até a linha de chegada. "Achava que a corrida só seria definida no final. Mas estava me sentindo bem e resolvi abrir do grupo da frente antes do que havia previsto. A estratégia acabou dando certo e consegui ganhar de novo", afirmou Marílson Gomes dos Santos. No feminino, Alice Timbilili do Quênia comprovou o favoritismo e venceu praticamente de ponta a ponta, quebrando o recorde com 50min19s. Resultados de 2010 Masculino 1º
- Marílson Gomes dos Santos (BM&FBovespa) - 44min02s Feminino 1ª
- Alice Timbilili (Quênia-Nike) - 50min19s Cadeirantes 1º
- Fernando Aranha Rocha - 46min20s Campeões da São Silvestre desde que a prova passou a ter 15km 2010
- Marílson dos Santos (BRA) - 44min04 Campeãs - prova de 15km 2010
- Alice Timbilili (QUE) - 50min19s - recorde da prova A 87ª São Silvestre é uma realização da Fundação Cásper Líbero e promoção da Gazeta Esportiva Net e TVGlobo. A prova tem patrocínio de Caixa, Fisk, Correios e Rexona, apoio do Hcor São Paulo, Montevérgine, Gatorade, Café 3 Corações, Probiótica, TAM Viagens, Green CO2-Neutralização de carbono, Rádio Globo e CBN e apoio especial do Governo do Estado de São Paulo e da Prefeitura de São Paulo. A supervisão será da CBAt, FPA, IAAF e AIMS.
Pátria de chuteiras x Pátria dos corredores Após o domínio africano nas últimas competições internacionais, vários questionamentos surgem sobre a participação dos africanos em corridas de rua e pista mundo a fora. No continente africano, alguns países destacam-se na revelação de jovens corredores com um investimento mínimo por atleta para a disputa de competições internacionais. Quênia, Etiópia e Tanzânia, são apenas alguns exemplos. No Brasil também temos bons atletas e revelações esporádicas, mas contamos nos dedos aqueles que conseguem competir em condições de igualdade com os melhores corredores do mundo. Já sabemos que somente o dinheiro não é a resposta para justificar essa disparidade. Na África, a maioria dos atletas vivem em condições precárias, e o investimento no atletismo é irrisório comparado as cifras de países mais desenvolvidos como o Brasil.
Dois fatores que talvez justifiquem o desempenho dos africanos possam ser a genética e a geografia do país. . No caso do futebol, algum país já se negou a ter o Brasil como adversário? Pelo contrário, jogar contra o Brasil é uma honra e ainda atrai patrocinadores milionários para os eventos. Muitos países que não tinham visibilidade no futebol, hoje conseguem resultados expressivos após terem feito intercâmbio com jogares e treinadores brasileiros. Porque no atletismo não podemos fazer o mesmo com investimentos na matéria humana, e não na construção de estádios e obras faraônicas que transformam-se em verdadeiros elefantes brancos, após grandes competições ? Renovação - Uma das saídas para diminuir esta disparidade seria a renovação constante dos atletas com investimentos na base, e intercâmbio com outros países, assim como no futebol. Não podemos ficar cultivando e esperando ótimos resultados de um atleta por vários anos. No caso do vôlei ou da natação, já observamos uma renovação mais eficiente com bons resultados a curto e médio prazo. Realidade brasileira - A realidade na maioria dos estados brasileiros é bem diferente. A grande maioria dos investimentos são destinados as regiões sul e sudeste. Mas, independente da região em que vivem, muitos talentos são perdidos diariamente, pois os jovens não descobrem o esporte na infância ou adolescência, e muitos começam tardiamente, isso sem falar de crianças que são impedidas pelos pais de fazerem educação física nas escolas, nestes casos, até atestados médicos são providenciados de forma desnecessária. Vale lembrar que nas corridas de rua, alguns atletas que começam tarde no esporte até conseguem bons resultados, mas esse desempenho poderia ser bem melhor se a descoberta do talento fosse feita na escola, alguns até poderiam ter desempenho nacional ou internacional. Mesmo assim, isso é possível, existem exceções, tudo vai depender de um acompanhamento técnico, dedicação ao esporte e características individuais de cada indivíduo. Olimpíadas - Nos últimos jogos olímpicos em Pequim 2008, os resultados brasileiros foram na contra-mão dos investimentos. Tivemos o maior investimento público na história dos jogos, 1,2 bilhão e a maior delegação brasileira na história das olimpíadas, com 469 atletas. Em Pequim, conquistamos apenas 3 medalhas de ouro e ficamos na 23º colocação no quadro geral de medalhas. Quênia e Etiópia conquistaram 5 e 4 medalhas de ouro respectivamente, com um orçamento muito mais modesto. Veja
como é a rotina dos atletas africanos, treinando.
São Silveste 2011 com 25 mil participantes.
As recentes mudanças no percurso; a entrega de medalha antecipada; a elevada taxa de inscrição; a transmissão ao vivo mal feita; a multidão desordenada no asfalto e a mudança de horário da prova são os principais motivos que afastam a cada ano muitos corredores experientes do evento, ou seja, a paixão pela São Silvestre está se perdendo com o tempo.
Aos veteranos, resta recordar com emoção e saudosismo das edições noturnas da corrida, com chegada na Paulista coberta pelos fogos do reveillon. Hoje, com o pipocar de corridas Brasil a fora e a queda de preços das passagens aéreas, muitos corredores estão trocando a São Silvestre por corridas menores e mais atrativas, algumas até em cidades interioranas. Aos debutantes no esporte, resta participar das provas e aprender com o tempo, aos veteranos fica a opção do bom senso para o planejamento anual de corridas.
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