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O efeito que a prática do esporte tem
no cérebro e como ela vicia os corredores
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Esquecer
os problemas, aliviar o estresse e experimentar
sensação de prazer e relaxamento.
Esses são alguns dos motivos que levam
um usuário a não conseguir se
livrar do vício de tabaco, bebida e
outras variedades de drogas. Não seria
perfeito aproveitar os mesmos efeitos sem
prejudicar a saúde? Isso é possível
com a prática de corrida de forma regular
e em intensidade moderada. “Logo após
o exercício, pode haver redução
na atividade cortical do cérebro, que
está associada ao estado de relaxamento
e à diminuição da tensão
emocional”, explicou Helena Sales de
Moraes, bacharel em Educação
Física e Mestre em Saúde Mental
pela Universidade Federal do Rio de Janeiro.
Uma
vez que o corpo se acostuma a receber o estímulo
que provoca boas sensações,
fica estabelecida uma espécie de dependência,
ou seja, o organismo sente falta dos hormônios
liberados pelo exercício, como a endorfina.
“A prática de atividades promove
a liberação dessa substância,
que é uma espécie de ´droga
natural´. Por ser produzida pelo próprio
organismo, a endorfina é benéfica
e funciona como um anestésico natural,
que diminui a dor após uma determinada
carga de exercícios”, afirmou
Maurício Pires de Albuquerque, que
é psicólogo clínico e
esportivo e professor de Psicologia Esportiva
do IEFD/UERJ. “Além disso, elimina
toxinas do corpo, alivia a ansiedade e o estresse”,
completou.
“Entre
as alterações cerebrais associadas
à pratica de corrida estão ainda
a redução nos sintomas de ansiedade
e depressão. Além da possibilidade
de prevenir os males de Alzheimer e Parkinson”,
afirmou Helena Sales de Moraes. A corrida
libera ainda a dopamina, também conhecida
como neurotransmissor do prazer. “A
substância é liberada e chega
ao sistema de recompensa do cérebro,
que dá a sensação de
bem-estar”, falou Helena. Porém,
a liberação excessiva promove
a perda da sensibilidade no sistema de recompensa
e isso faz com que o corpo necessite de cada
vez mais dopamina para a obtenção
de prazer, e é por isso que a corrida
se assemelha a outras formas de vício.
Efeitos
psicológicos
Existem ainda os benefícios psicológicos
da prática que contribuem para que
os corredores não consigam ficar longe
das pistas, como a possibilidade de aquecer
as relações pessoais. “Além
de um esporte, a corrida significa para mim
uma forma de me sociabilizar, de encontrar
colegas e até fazer amigos”,
falou Marcelo Carvalho da Silva, 34, publicitário,
que corre há quatro anos e treina cinco
vezes por semana. “Sinto falta da corrida.
Quando não corro, meu corpo fica menos
disposto. O esporte é como uma válvula
de escape para quem tem uma rotina muito atribulada
e estressante”, completou.
O
psicólogo Maurício Albuquerque
explica que essa sensação é
comum, pois, enquanto está realizando
a atividade, o cérebro precisa se concentrar
apenas nos movimentos do corpo, e os problemas
ficam de lado pelo menos naquele período.
“O cérebro só presta atenção
em uma coisa de cada vez. Por isso, quando
o indivíduo pratica a corrida, fica
atento apenas em si próprio e é
como se ele relaxasse os pensamentos”,
falou. Isso acontece porque, assim como as
outras partes do corpo, o cérebro também
necessita de descanso. “O músculo
precisa de exercício e também
de repouso, assim como o cérebro”,
explicou. De acordo com o profissional, essa
lógica se aplica quando alguém
se sente agitado e não consegue realizar
uma tarefa no trabalho, por exemplo. Levantar
da cadeira, caminhar um pouco pelos corredores
e voltar ao serviço pode fazer a diferença.
“Quando você descansa os pensamentos,
eles voltam de maneira mais clara”.
Fonte:
Odara Gallo / Revista O2
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